Quinta-feira, Abril 23, 2009

O Segredo das Letras..

A música sempre foi uma das minhas mestras, de Roberto Carlos a Charlie Brown. Dela extraí pequenas lições que me lembraram da felicidade, independentemente do que estivesse sentido. Simplesmente feliz por existirem pessoas no mundo que pensam assim. Na verdade, o que me comove, alegra e preenche, é ver que muita gente acredita em um mundo melhor, por mais piegas que seja a expressão. Achei que valia a pena compartilhar minhas pequenas lições, independentemente de estilo musical.

Os trechos das músicas estão na apresentação ao lado direito do Blog. Se a visualização foi difícil, clique na imagem que será redirecionado para o álbum do Picasa, onde estão as imagens. Esteja à vontade! Namaskar!

Encostas

Domingo à tarde, solzinho gostoso e lá fui eu para a praia.
Estava sentadinha, apreciando o Moçambique praticamente deserto quando chegam dois rapazes na praia. O primeiro vem correndo, se benze e se atira no mar, sem observá-lo ou mesmo sentir a temperatura da água. Simplesmente se joga.
O segundo, que parecia mais novo (nem por isto menos sábio), “conversa” com o mar. Observa as ondas, sente a temperatura da água e vai entrando devagar, esperando pelo melhor momento.
Ambos estavam sem prancha, mas com a clara intenção de pegar jacaré. Durante o tempo que o segundo estava prazerosamente sentindo o mar, o primeiro recebia toda a força da série de ondas maiores na cabeça. Como não avaliou o momento e entrou repentinamente no mar, praticamente precisou lutar contra a rebentação. Logo que a série terminou, após três ou quatro ondas realmente enormes, o segundo rapaz foi entrando vagarosamente, alcançando a rebentação praticamente sem molhar o cabelo. O mar simplesmente o recebeu, de braços abertos, porque aquele era o momento certo.
Quem está certo? Quem está errado? Quantas vezes nós brigamos com a vida e a estapeamos sem perceber que aquele momento não é o correto para aquilo que estamos tentando. Ficamos tão obtusos na nossa verdade e na nossa vontade, que perdemos a noção do quanto o momento é importante. Não que esta luta nos impeça de chegar ao objetivo final, tanto é que ambos os rapazes pegaram suas ondas felizes da vida. Só que um sofreu mais que o outro para chegar lá.
Mas até o momento certo é relativo. O quanto o apressadinho realmente precisava absorver toda aquela fúria do mar? Eu sei? Você sabe? Provavelmente nem ele sabia, pelo menos não conscientemente. Talvez até ele sofresse mais se ficasse esperando do que com a fúria das ondas em si. Com sua intempestividade ele buscava a fúria. Assim como buscamos nosso sofrimento pelo simples fato de não observar a mesma situação por outro ângulo. Ou sob o ponto de vista do outro. As perspectivas são várias, assim como os caminhos.

“Não importa por que encosta da montanha cada um sobe. Nos encontramos no final.” Lia Diskin.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Pé na Estrada

Pois então. Enfiei o pé na estrada nestas férias. Fui provar o tão alardeado gosto de viajar compulsivamente e resolvi exagerar e conhecer quase tudo que eu tinha vontade de conhecer nos Estados Unidos. Fui em família para a Califórnia, com amigos à Las Vegas e Grand Canyon e sozinha em Nova York. Califórnia em dezembro e janeiro e o restante no carnaval.
Evidente que se aprende, e muito, ainda que falemos de um país como os EUA. Os americanos foram bem mais adestrados pelos ingleses que nós pelos portugueses e aprenderam a respeitar – e principalmente se distanciar – do próximo à duras penas. Depois de muitos processos de indenização milionários que movem e enriquecem os cidadãos eles não viram outro jeito senão andar na linha. Só que este andar da linha criou uma nação de sorrisos. Todo mundo sorri e trata o outro de honey e darling, dentre outros adjetivos hiperbólicos... Mas não encosta não!!! Nem nos cães (logo eu que já vou com aquela mão boba esticada para fazer carinho nos peludos) se podia encostar porque a cara feia dos donos era assustadora. Muito pior era com as crianças. Elas mesmas não se importavam em ser tocadas, mas os pais as arrancavam do caminho – ainda que eu não tenha nem tentado, vi outros incautos brasileiros tentarem.
Mas não é disso que eu queria falar, afinal, cada país tem sua cultura e forma de encarar o mundo e não podemos dizer quem está certo ou errado. Como já disse, bem ou mal, sempre aprendemos e encontramos o que pensar em uma viagem, seja para os EUA ou para Biguaçu.
Só que em toda esta “hiperatividade turística” acabamos cumprindo o roteiro externo e deixando de lado o roteiro interno. É meio aquela coisa de para fora e para dentro – sem sacanagem (rs). Viajando, com todo aquele estímulo visual e sensorial do novo, a tendência é que tornemos a buscar a alegria e a felicidade dos estímulos externos, esquecendo que isso só encontramos em casa mesmo. E esta casa é o nosso Ser, o que nós realmente somos. Claro que ao iniciar a viagem, tinha esta consciência e me propus a não esquecê-la. Mas sabem, somos adestrados desde pequeninos a valorizar e buscar os estímulos externos e a partir do momento em que durante a viagem esta memória é estimulada, esquecemos todos os ensinamentos relativos ao “caminho da felicidade e da inteireza” e mergulhamos de cabeça em tudo que temos para ver e sentir. Quer dizer, comigo pelo menos foi assim, mas acredito que encontre eco no sentimento de mais gente.O resultado é que no final da segunda viagem, senti aquela sensação de “Puxa, está faltando alguma coisa.” Qual não foi a minha surpresa ao perceber que quem faltava era eu mesma! Eu tinha visto tanta coisa nova, tanta coisa diferente, computado tanta informação racional, que esqueci de lembrar de me buscar e de perguntar como aquilo tudo estava refletindo em mim. É aquela outra máxima Crística: “Orai e vigiai”. No estímulo, não fiz nenhum dos dois. Nem orei – mesmo conhecendo igrejas lindíssimas – nem vigiei a mim mesma, meus pensamentos e sentimentos diante de toda aquela informação, achando provavelmente que estava de férias disto também. Aí está o aprendizado mais importante de toda esta andança... De autoconhecimento não se tira férias.

Segunda-feira, Março 31, 2008

Picuinhas.

Nenhum de nós está isento de sentir raiva. Não é dos sentimentos mais nobres mas brota fácil, e negá-la não resolve. Uma vez alguém disse que raiva ou vira doença ou vira karma, ou seja, se negamos fingindo que está tudo bem ficamos doentes com nosso próprio veneno. Se externamos, semeamos atitudes que em algum momento retornarão, como bolas de tênis num paredão. Sinuca de bico, não?
Diz a lenda, que o ideal é refrear o impulso imediato de externar a raiva através de atitudes impensadas, de forma que possamos avaliar o sentimento sem que o coração esteja disparado predispondo-nos a lutar ou fugir. Não negar, mas perceber a existência do sentimento e questionar sua validade e profundidade. Depois, mais calmos, conversamos com tranqüilidade e tato com o “agente” causador da raiva para solucionar a situação.
Pessoalmente, quando escolho este caminho, chego a duas conclusões: ou a situação não era tão grave como eu havia pintado e que inclusive enganei-me em algum julgamento, ou que a pessoa com quem se estabeleceu o atrito é mesmo cretina e não vai mudar em virtude dos meus belos olhos. Percebem que em ambos os casos, a raiva é uma enorme perda de tempo? No primeiro caso, perdemos tempo e energia julgando o outro e produzindo mais e mais raiva, afinal, as ondas de sentimento atingem não só o objeto como o emissor, para depois perceber que não era nada do que imaginávamos. No segundo caso, malhamos ferro frio.
A raiva guardada vira ressentimento, porque como ela está lá, reservada como bem precioso em nossos escaninhos cerebrais, de vez em quando damos uma cutucada nela para “re-sentirmos” sua presença. E diz outra lenda, que o ressentimento é o veneno que tomamos esperando que o outro morra...
Do ressentimento, nasce o círculo do ódio, substituindo o ideal que deveria ser o círculo do amor.
No ambiente de trabalho, onde pessoas - que na maioria das vezes são muito diferentes - convivem obrigatoriamente sob o mesmo teto, o ressentimento impera. É bem básico: Fulano acha que Beltrano não trabalha e o persegue ou demite. Beltrano dá a volta por cima e persegue Fulano assim que consegue. Em contrapartida, metade da repartição está apoiando Fulano e a outra metade apoia Beltrano. E a lambança está feita, porque enquanto todo mundo estiver ressentindo situações pessoais nas quais às vezes nem estão envolvidas desperdiça a possibilidade da união.No ponto em que estamos na evolução do planeta, precisamos interromper este círculo vicioso. A palavra chave agora é cooperação. Se não cooperarmos com nossos familiares, nossos amigos, inimigos (sim, com os inimigos também, nem que seja aceitando que eles são assim e saindo de seu caminho seguindo o nosso) e colegas de trabalho não vamos conseguir modificar nossa forma de pensar. E como o pensamento constrói, juntos construímos o planeta que temos, que honestamente não está lá isso tudo, certo? “Tá”, você me diz, “de que adianta eu mudar sozinho? Se ninguém mais muda quem se ferra sou eu.” Faça o seguinte. Experimente ou pelo menos tente experimentar. Depois me conta.



Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Anjos Gêmeos (30/11/2007)

Sob o abençoado sol de sagitário (lindo, diga-se de passagem), com a lua em leão e ascendente em aquário, a vida inundou novamente a terra e o Criador sorriu feliz com sua obra perfeita.
Amigos queridos nos fazem felizes. Bebês nos enternecem. Mas bebês de amigos queridos nos elevam a patamares de ternura incomuns aos seres humanos normais.
Percebemos que o clichê do “milagre da vida” é insubstituível. Pois há algo de milagroso no nascimento de pequenos seres humanos que terão grandes histórias. Cada detalhe parece impressionante, desde o tamanho das mãos até a força com que seguram nossos dedos. E por mais que vejamos bebês e tenhamos filhos, não perdemos a capacidade de nos maravilhar com os pequenos presentes de Deus.
Ontem, voltando da maternidade, meu filho cantava uma música que incluía a palavra ternura. Imediatamente perguntou: mãe, o que é ternura?
Devaneei por alguns segundos quanto à melhor forma de explicar um sentimento e respondi: Sabe o que você sentiu quando pegou na mãozinha da Mariana? Aquela vontade de cuidar, acarinhar e proteger? Isto é ternura. Esclarecido, seguiu cantando.
O despertar deste nobre sentimento é fundamental para que cada um de nós perceba a capacidade profunda que tem de amar e de cuidar.
Cuidar do outro é uma arte, e aqui incluo não só os seres vivos como o planeta em que vivemos que nos foi concedido como benção. E a arte precisa ser exercitada para florescer. Talvez por isso nasçamos tão pequenos e indefesos, para despertarmos o desejo de cuidar nos corações já empedernidos pelos reveses da vida.
Uma vez derramada a benção da vida no nosso “infinito particular” não há retorno do coração à condição anterior. Aquele “aperto no peito” é cada vez mais freqüente, o enternecimento passa a ser comum e o deslumbramento que a vida traz se espalha para todas as pequenas coisas. E não importa o tempo que passa. Inclusive o tempo potencializa os sentimentos. Basta que vejamos os avós que, dispensados da obrigação de educar, ficam apenas com o prazer de sentir.
Enfim, a mãe Gaia agradece a vida recém nascida, mas há muito planejada, e o sol que iluminou o dia se põe, oferecendo um show de contemplação, feliz da vida por poder brilhar para dois novos/velhos seres que retornam, triunfantes, felizes e amados, para cumprir suas missões juntos.

“É cria,
Criatura e Criador
Cuida de quem me cuidou,
Pega na minha mão e guia...”
Cria - Maria Rita

Que a guiança dos amigos queridos seja guiada pela mão do Criador.
Que assim seja.

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

UNIPAZ - Formaçao Holística de Base.

Seguir a caminhada da Formação Holística de Base - FHB faz um upgrade no coração. Deixamos de achar que os outros nos magoaram e descobrimos que podemos escolher se seremos magoados. E sabem o que mais nos deixa boquiabertos? Descobrir que é fácil escolher. E aquele papo de amar o próximo como a si mesmo, inclusive aos inimigos, deixa de ser uma tênue visão para se tornar uma realidade almejada, afinal, a princípio, ninguém sai iluminado. Digo a princípio, porque tudo passa a ser possível... A capacidade de ampliar a consciência sobre todas as possibilidades é encantadora e nos eleva aos deuses que somos.
Aprendemos que viver e morrer são artes que devem ser cuidadas, preparadas e plenamente sentidas. Mas também que sentimentos demais nos arrastam por trilhas tortuosas e aprendemos a deixá-los passar.
Pessoalmente, descobri que apenas caminhava, sem viver de verdade o caminho. E falo isso literalmente, ou seja, na caminhada diária que fazia para exercitar-me. Colocava música agitada e um pé na frente do outro. Ao longo destes dois anos, descobri que desperdiçava energia em pensamentos desnecessários e repetitivos, com minha mente macaco louco. E sabem do mais legal? Vi as flores do caminho, conheci os cães que nele habitam. Vivenciei a influência das estações do ano sobre cada uma das árvores e o quanto este transformar se relaciona diretamente com nosso Ser.
E sabem o que mais? A música tem poder. E as letras que cantamos podem fazer a diferença em nosso estado de espírito. Hoje só escuto músicas que me fazem bem, pois tenho a maravilhosa capacidade de escolher. Deu para perceber que a Unipaz capacita, não é?
Cheguei à Unipaz achando todo mundo muito esquisito. Com o tempo, descobri que esquisitos são os outros. E finalmente, após dois anos de formação deliciosamente vividos, aprendi que essa história de julgar dá muito trabalho e resolvi ser feliz.

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Didi.

Em setembro de 2006, tivemos aqui em Florianópolis o Festival Mundial da Paz. Dele participaram diversos palestrantes e dentre eles a Drª Susan Andrews – carinhosamente chamada de Didi (irmã em sânscrito) – autora do livro “Stress a seu favor”.
Quando a vi no palco, falando de stress e crianças, chorei. Na verdade sua presença, por si só, já me emocionava, pois parecia que ouvindo suas palavras eu vislumbrava um pequeno pedaço da Minha Verdade.
Daquele dia em diante, escolhi conhecer seu trabalho e ensinamentos. Em janeiro de 2007 fui ao Parque Ecológico Visão Futuro para participar do curso de Biopsicologia I, ministrado por ela.
O que aprendi lá guiou meus passos ao longo deste ano e tenho certeza que esta guiança tem me levado pelos melhores caminhos.
Mas na verdade o ensinamento maior que obtive veio, como acontece na maioria das vezes, do exemplo.
Sabem, a Didi é, aos olhos da terra, uma senhora de imensa sabedoria e certa idade. Passou por poucas e boas pela vida até portar toda a “notoriedade” de que se reveste hoje. Os títulos são muitos e estão todos na internet, é só pesquisar. Todavia, notória ou não, optou pela vida simples que leva na Ecovila.
Durante a semana que durou o curso, em momento algum deixava de partilhar da companhia dos 89 aprendizes que lá estavam. Fazia ioga e caminhava – descalça, diga-se de passagem – conosco. Passava por todos os grupos conversando, perguntando, sempre de riso fácil e coração aberto.
E apesar da imensa e evidente sabedoria, em momento algum qualquer um de nós se sentiu “aluno” no sentido acadêmico da palavra. De forma objetiva, ela pretendia simplesmente transmitir o que sabia e estava junto. Na completa acepção da palavra – próxima, ao lado. Todos sabiam que ela era Mestra. Mas sentíamos o amor da irmã que é, que chorava, abraçava e sentia junto a nós em cada uma das fortes vivências, sem “preservar” seus sentimentos da forma como somos adestrados a fazer.
Em determinado momento que me marcou sobremaneira, a Didi, com os olhos rasos d’água, olhou nos olhos de cada um de nós e perguntou mais ou menos isso: porque será que estamos todos aqui, neste lugar, neste país e neste momento, tomando consciência de tanta coisa importante sobre nós mesmos e sobre tudo que nos cerca e em um momento tão crítico do planeta? Cada um de vocês tem uma parcela de participação em toda esta mudança. Naquele momento, a responsabilidade pelo que fiz, pelo que não fiz e pelo que vem adiante deu “aquele” cutucão na minha consciência.
Dali em diante, ficou cada vez mais claro para mim. Não temos mais espaço aqui na Terra para mestres com “m” minúsculo, o mestre “superior” que vem com a pretensão de ensinar. O momento é do Mestre que aprende enquanto ensina. Tais Mestres são realmente mais sábios que a maioria de nós, mas não sobem ao púlpito para discursar. Permanecem ao nosso lado, pisando na mesma terra e vivendo seus sentimentos, seu presente.
Cada vez mais precisamos do grupo, da união e da cooperação. E isso não vale só para os Mestres. Aplica-se a cada um de nós que escolhe palavras que desagregam em detrimento de atitudes que aglutinam.
Se uma Mestra como a Susan pode estar junto, nós também podemos descer de nossos pequenos pedestais de prepotência – tenho certeza que cada um tem o seu – e abraçar quem está do lado. Tenho convicção de que ou cooperamos por escolha, ou teremos que cooperar por imposição. Pessoalmente eu já decidi escolher cooperar.


Mais informações: www.visaofuturo.org.br
A Drª Susan Andrews é também colunista da Revista Época.